CRISE GLOBAL E ENTRAVES AMEAÇAM POLO DE FERTILIZANTES EM ARAXÁ E PATROCÍNIO

Mai 5, 2026 - 09:11
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CRISE GLOBAL E ENTRAVES AMEAÇAM POLO DE FERTILIZANTES EM ARAXÁ E PATROCÍNIO
Conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu afetaram a oferta de insumos para a indústria de fertilizantes | Foto: Reprodução Adobe Stock


Mosaic paralisou recentemento operações em complexos do Alto Paranaíba

 Essencial para reduzir a dependência brasileira de importações, o polo de fertilizantes de Minas Gerais está ameaçado pela crise global do setor e por entraves em políticas de Estado, o que coloca em xeque a viabilidade de plantas no Brasil. Em abril, a Mosaic Company hibernou o Complexo Mineroquímico de Araxá, no Alto Paranaíba, e pôs os ativos no município à venda. O grupo americano também paralisou as operações do Complexo de Mineração de Patrocínio, na mesma região. As medidas devem reduzir em cerca de um milhão a produção anual de fosfato da Mosaic Fertilizantes. A decisão foi atribuída à estratégia de redução de custo e realocação de capital para áreas que garantam maior retorno financeiro, mas veio após impactos relacionados a uma alta significativa nos preços do enxofre. No ano passado, as atividades destas unidades, assim como das unidades da empresa no Paraná, já haviam sofrido interrupções temporárias. O ponto é que a Mosaic poderá não ser um caso isolado. O diretor-executivo do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), Bernardo Silva, ressalta que se as empresas não encontrarem insumos em escala e custo viável para produzirem fertilizantes no Brasil, há risco real de mais plantas pararem ou hibernarem. “A produção doméstica de fosfatados depende de enxofre importado. Se não há enxofre em escala e preço, se torna inviável produzir nacionalmente. É um diagnóstico totalmente realista de como a cadeia funciona”, afirma.

FERTILIZANTES

 

Brasil e, consequentemente, Minas Gerais são altamente dependentes de fertilizantes para setor agrícola | Foto: Wenderson Araujo / Trilux / CNA

  “Da mesma forma ocorre com os nitrogenados. Se não tivermos medidas para ofertar gás natural, biometano e hidrogênio verde para produzir a amônia em um custo viável no País, as plantas não vão ter viabilidade”, ressalta, afirmando também que para os potássicos, o grande problema está em debates ideológicos e regulatórios que impedem uma maior exploração das reservas minerais brasileiras de potássio.

EXECUTIVO AVALIA CRISE ATUAL COMO MAIS GRAVE QUE A DE 2022
O cenário atual se configura, segundo Silva, como uma “tempestade perfeita” que supera em gravidade a crise de 2022, quando o início da guerra entre Rússia e Ucrânia provocou uma “explosão” nos preços globais de fertilizantes. Enquanto naquele período a preocupação era a volatilidade extrema dos preços, hoje o desafio se tornou multifacetado. Ele explica que, há quatro anos, embora os preços de fertilizantes tivessem disparado, os das commodities agrícolas estavam em níveis vantajosos, conferindo aos agricultores brasileiros um poder maior de compra. Contudo, essa equação já não é a mesma.
Recentemente, com a escalada do conflito no Leste Europeu, houve destruição de plantas de fertilizantes e unidades petroquímicas, além do colapso de infraestrutura portuária na região. Isso tem gerado problemas de capacidade produtiva e logística. Em paralelo, a guerra iniciada no Oriente Médio vem provocando gargalos semelhantes, com ativos industriais e de escoamento de produtos e insumos sendo destruídos na região. Esse conflito também está resultando em uma alta significativa nos preços dos fertilizantes e insumos para o setor, além de aumento nos custos logísticos.
Conforme o diretor-executivo do Sinprifert, outro grande problema para o setor trata-se da transição energética. Silva esclarece que matérias-primas como enxofre, amônia e ácido fosfórico estão sendo direcionadas para a produção de baterias e a lixiviação de alguns minerais críticos, criando uma disputa de demanda e escassez de oferta.
Segundo ele, isso tem elevado os custos das empresas. É um dos motivos para a disparada dos preços do enxofre no mercado global. E tem resultado na paralisação de plantas. “Também tem a questão doméstica. Os preços das commodities agrícolas não estão no mesmo patamar de 2022, ou seja, menos renda para o agricultor poder comprar fertilizante, que está mais caro. Há problemas de financiamento, com menos recursos do Plano Safra e recursos de financiamento mais caros devido aos juros mais altos. Tem recuperação judicial explodindo, algo que não havia em 2022 no patamar de hoje”, acrescenta.

Da Redação com Diário do Comércio

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