Ele: JORNALISTA JOAQUIM CORREIA MACHADO FILHO, chega neste 15/ 02 aos 90 anos.
Mas quem olha de perto e acompanha seu movimentar, desconfia. Tem algo errado nessa conta. Ali tem energia de sobra - e olhe lá. É alegria que não pede licença, é aquela disposição de primeiro cliente na padaria.
- Qual é o seu nome, moça?
- Sofia
- Você Só, Fia, não faz outra coisa não?
Uma piada, uma tiradinha para cada pessoa que cruza seu caminho ao longo do dia... Ao longo da vida.
Na página 11 do livro "O Grande Tesouro de Joaquim Correia", escrevi - e repito com gosto: "Pode chamá-lo de Joaquim do JP, Joaquim Correia, Joaquim Machado, Quincas, Sô Joaquim, Quím Novato… mas ninguém pode chamá-lo de “cidadão desocupado”. Ah, isso não."
A vida começou cedo para ele. Ajudou o pai na chacrinha da família, foi engraxate, entregou marmitas aos presos da cadeia pública, entrou numa sapataria aos 13 anos. Ainda menino já entendia que trabalho não diminui ninguém - engrandece. Como estudante, foi liderança. Formou-se em contabilidade. Trabalhou 25 anos como bancário. Mas foi no jornalismo que encontrou sua trincheira e, digamos, seu altar: Há 53 anos fundou o JORNAL DE PATROCÍNIO- JP, que virou mais que um periódico - virou memória viva da nossa cidade.
Mas ele nunca foi apenas jornalista.
Foi Confrade Vicentino, cursilhista, palestrante, Ministro da Palavra. Idealizou a construção da Igreja do Rosário na Matinha. Fundou, presidiu e construiu a sede da associação dos artistas sertanejos. Esteve à frente da APJ da terceira idade. Contribuiu com sugestões para o Estatuto do Idoso. Presidiu o Lar da Criança. É historiador documentarista, músico, membro da Academia Patrocinense de Letras. Colaborador Emérito do Exército Brasileiro.
É daqueles homens que não passam pela cidade - ajuda a construí-la.
A PROFESSORA e JORNALISTA, DARCI GUIMARÃES MACHADO, foi sempre mais do companheira de vida e lida. Foi sempre o seu braço direito para o que der e vier.
Os filhos ALEX, ALAN, e ANALÚ, hoje grandes profissionais que tem no pai e na mãe, um grande espelho.
Tem, sim, uma frustração (posso contar, ele me permite): Não é porque torce pelo Galo, Fluminense e Palmeiras- embora isso já exija certa resignação (rs). É porque o projeto de lei que criou para a construção das 15 estações da Via Sacra na Serra do Cruzeiro ainda não saiu do papel. Ele sonhou, desenhou, propôs. Falta quem execute. Mas sonho plantado por ele costuma criar raiz.
E não pensem que ele sossegou. Ainda escreve editoriais no JP. Apresenta programa semanal de uma hora na Rádio Cultura FM. Faz poemas. Dança valsa com a neta debutante. Dá entrevista por aí com rara sabedoria e lucidez.
Hoje, é o cidadão mais reverenciado da cidade - e talvez o mais humilde. Não reconhece classe social. Não faz distinção. Fala a língua da criança, do acadêmico e do cidadão comum com a mesma naturalidade. É respeitado porque respeita.
Joaquim vem do hebraico: “Estabelecido por Deus”.
E há nomes que conta o segredo de tudo.
Que saúde! Poucos chegam lá com a energia, a fé e o alto astral dele.
PARABÉNS! pelos 90 - digo, 60 - anos, Quim!
Que Deus conserve essa juventude que não está no corpo apenas, mas no coração que nunca envelheceu.