COM 24 ANOS, VITOR BILL É O TÉCNICO MAIS JOVEM DO BRASIL E TROCOU CHUTEIRAS PELA PRANCHETA

Jul 18, 2025 - 14:24
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COM 24 ANOS, VITOR BILL É O TÉCNICO MAIS JOVEM DO BRASIL E TROCOU CHUTEIRAS PELA PRANCHETA
Comandante do Patrocinense, Vitor Bill é o treinador de time adulto masculino profissional mais novo do País, segundo dados da CBF

 Por Luís Fellipe Borges - Patrocínio/MG

Aos 24 anos, jovens no Brasil costumam se preocupar em concluir a faculdade, entrar no mercado de trabalho e enfrentar os desafios do início da vida adulta. Para Vitor Motta Nunes Bill, no entanto, essa é a idade em que ele se consolidou como treinador de futebol profissional. Ele assumiu o comando do Patrocinense, time tradicional do interior de Minas Gerais e que está no disputa por uma vaga na elite do Estado. Primo do ex-lateral direito do Corinthians Alessandro, campeão mundial em 2012, Vitor é o treinador mais jovem do Brasil em atividade em um time masculino adulto, conforme os registros presentes no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF. No elenco do Patrocinense, mais da metade dos jogadores é mais velha que Bill e são comandados por ele nas atividades do dia a dia.

 Vitor Bill, técnico do Patrocinense - Foto: Redes sociais

Ex-volante, Vitor chegou a disputar a Série D do Campeonato Brasileiro, mas decidiu trocar a vida de atleta para se tornar treinador. Em entrevista ao ge, Bill detalhou a mudança de trajetória, disse se sentir realizado na nova função e explicou as ideias de jogo que costuma aplicar. Ele também garantiu que, apesar da pouca idade, incomum para um técnico de futebol, não se sente intimidado pelos jogadores mais experientes que ele e lida bem com as críticas que recebeu na carreira. "Às vezes, você fica um pouco receoso com a forma como eles vão aceitar a diferença de idade e tudo. Eu sou um treinador da nova geração, inclusive, por estar recentemente do lado de lá [como jogador], eu sei como um atleta gosta de se portar, eu sei a nomenclatura atual a se usar com o boleiro, com o atleta, e isso facilita bastante o meu convívio no dia a dia com eles", contou. "O futebol sempre vai ter os famosos corneteiros e comentários, isso é normal, acho que tanto para treinador quanto jogador, você tem que estar com o psicológico bem trabalhado nesse sentido", acrescentou.
Na conversa, Vitor falou sobre o desafio de conciliar a vida como jovem com a de treinador e ressaltou a responsabilidade que tem com a própria imagem e com os estudos para se manter no cargo. "Eu sou um cara mais tranquilo, até pela idade. A gente gosta de sair um pouco, de ter um lazer, dar uma espairecida na cabeça. Mas até mesmo pela responsabilidade que hoje eu assumi o cargo, a gente tem que se abdicar de certas coisas, principalmente nesse início de carreira. Eu tenho que saber que, assim como foi uma escolha minha ser treinador, eu tenho que ter essa responsabilidade. E as consequências dos meus atos influenciam muito. Eu aproveito bem o meu tempo livre, mas a maior parte do tempo eu estou dedicando a estudos do futebol e também a um estudo espiritual, uma igreja, alguma concentração para mim dentro do meu objetivo maior. Eu não tenho um hobby específico além do futebol. Então meu foco 100% é futebol, quando eu estou assistindo, é futebol, quando eu estou trabalhando, é futebol", continuou.
Vitor disse que se sente "100% preparado" para comandar o Patrocinense ou outros times no futebol brasileiro. Com o CAP, ele começa a disputa da Fase Triangular do Módulo 2 do Campeonato Mineiro nesta quarta-feira, em jogo contra o North às 20h no Estádio Pedro Alves do Nascimento, em Patrocínio. "Eu me sinto preparado como treinador, eu acredito que não exista uma matemática de com tal idade você vai ser treinador. Isso é da personalidade de indivíduo para indivíduo, e de oportunidade. Eu acredito que eu estava preparado e qualificado quando eu recebi as oportunidades. Hoje eu encaro ela como um desafio que, inclusive, eu acho que eu posso, daqui a alguns anos, estar entrando até mais para uma história do futebol brasileiro em termos de treinador", disse.

  DE JOGADOR A TREINADOR
Nascido em Curitiba em dezembro de 2000, Vitor começou a jogar futebol no Paraná e chegou ao futebol profissional pelo Blumenau-SC. Depois, se transferiu para o Rio Branco-PR, onde jogou o Campeonato Paranaense e o Brasileiro da Série D. Em 2021, ele entrou em campo para enfrentar o Athletico na Ligga Arena pelo estadual, em jogo vencido pelo Furacão por 2 a 0.

 Vitor Bill jogou futebol profissional no interior do Paraná - Foto: João Laguna

Enquanto se dedicava ao futebol, Vitor também estudava e se formou em Educação Física. A graduação levou a uma proposta inusitada em 2022: pendurar as chuteiras e passar a compor uma comissão técnica. "Eu tinha postado no final do ano que eu tinha terminado a minha faculdade de Educação Física, e um rapaz me mandou uma mensagem perguntando se eu tinha parado de jogar futebol, até porque eu não tinha postado mais nada, e se eu estava trabalhando na área como preparador físico. Eles estavam precisando de preparador físico na URT, em Patos de Minas, era Brasileiro da Série D. Naquela época, eu acabei tomando uma decisão. Não estava muito feliz com o meu momento no futebol, a gente sabe que a vida de jogador é altos e baixos, e eu acabei aceitando esse desafio", contou Bill ao ge.

  CHANCES NO PATROCINENSE
A partir de 2023, Vitor trabalhou como auxiliar permanente do CAP e assumiu o time mineiro em duas oportunidades de forma interina. Naquele ano, comandou o time na Série D após a saída de Rogério Henrique para o Pouso Alegre, que disputava a Série C. Na primeira experiência como treinador principal, Bill levou o CAP às oitavas-de-final da competição.
No ano seguinte, ele retornou ao cargo de auxiliar permanente do clube, mas foi novamente colocado como interino nas últimas rodadas da Série D após a demissão de Toninho Cobra. Nos dois anos, ele foi o técnico mais jovem nas quatro divisões do futebol brasileiro. "A torcida da Patrocinense abraçou, a diretoria me apoiou naquela época, e eu consegui fazer essa transição, digamos assim, de um auxiliar para um treinador, e conciliando sempre o estudo. Fiz as minhas licenças, atualmente eu tenho a licença A da CBF, e hoje a gente sabe a responsabilidade que é estar à frente de uma instituição como a Patrocinense", afirmou Vitor. No começo deste ano, Vitor deixou o CAP para assumir o time sub-21 do Guarani de Palhoça-SC. A experiência no sul do país foi rápida: Bill foi chamado novamente pelo Patrocinense em maio para assumir a vaga de Paulo Schardong, que pediu demissão após a derrota para o Varginha no Módulo 2 do Mineiro.
Com nomes consagrados como modelo, o treinador mais jovem do futebol brasileiro quer construir a própria história dentro do esporte.

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