COLHEITA DE CAFÉ AVANÇA NO BRASIL, MAS SEGUE ABAIXO DA MÉDIA HISTÓRICA

Jun 11, 2026 - 08:44
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COLHEITA DE CAFÉ AVANÇA NO BRASIL, MAS SEGUE ABAIXO DA MÉDIA HISTÓRICA
Safra recorde e busca por qualidade ditam o ritmo no campo

                                  

Os trabalhos de colheita da safra brasileira de café 2026/27 seguem ganhando tração nas principais regiões produtoras do país, mas em um ritmo inferior à média dos últimos anos. De acordo com o levantamento mais recente da consultoria Safras & Mercado, o Brasil colheu até o momento 23% do potencial total estimado para este ciclo. O desempenho atual mostra um atraso quando comparado ao mesmo período do ano passado, quando o índice de colheita atingia 28%, e fica quatro pontos percentuais abaixo da média histórica dos últimos cinco anos, que é de 27% para esta época.
Apesar do andamento mais cadenciado, as projeções de volume final permanecem otimistas. Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam para uma safra recorde, que pode superar a marca de 66 milhões de sacas de 60 kg, impulsionada pelas condições climáticas favoráveis que beneficiaram o desenvolvimento das lavouras no início do ano.

  CLIMA E ESTRATÉGIA DE MATURAÇÃO EXPLICAM O RITMO - Analistas do setor apontam que a lentidão nos trabalhos de campo não é sinônimo de problemas estruturais, mas sim reflexo de uma combinação entre fatores climáticos e escolhas estratégicas dos cafeicultores. A ocorrência de chuvas pontuais e frentes úmidas entre o final de maio e o início de junho desacelerou o uso de maquinários e o processo de secagem do grão em algumas praças. Paralelamente, em regiões de alta tecnologia - como o Cerrado e o Sul de Minas Gerais -, produtores optaram por retardar o início da colheita. A estratégia visa aguardar a maturação ideal e uniforme dos frutos, priorizando o enchimento dos grãos e a entrega de lotes com maior qualidade de bebida, evitando uma proporção elevada de grãos verdes.
O atraso inicial foi registrado de forma mais acentuada nas áreas de café conilon (robusta), variedade que tradicionalmente abre o calendário de colheita, mas o café arábica também iniciou o mês de junho em ritmo contido, concentrado em regiões como a Zona da Mata mineira. Mercado opera travado diante do fluxo gradual, o ambiente de negócios, o compasso de espera no campo traduz-se em uma comercialização considerada lenta e defensiva. Com a entrada gradual do café novo nas cooperativas e armazéns, a liquidez no mercado físico disponível permanece moderada.
A postura dos cafeicultores é de cautela. Diante da volatilidade observada nas bolsas internacionais e da disparidade de preços entre o mercado físico e as telas de contratos futuros, o setor produtivo tem evitado a fixação de grandes lotes antecipados. A expectativa do mercado é de que as negociações ganhem fluidez a partir da segunda quinzena de junho, com o pico do volume colhido e a consolidação da oferta da nova safra.

FONTES: Canal Rural, CONAB e Safras & Mercado

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