A DECISÃO DE TRUMP SOBRE O CAFÉ BRASILEIRO: UMA TEMPESTADE EM XÍCARA DE GEOPOLÍTICA

Nov 19, 2025 - 09:49
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A DECISÃO DE TRUMP SOBRE O CAFÉ BRASILEIRO: UMA TEMPESTADE EM XÍCARA DE GEOPOLÍTICA


A semana trouxe uma notícia aparentemente boa para o café brasileiro nos EUA, mas não é bem isso. Apesar de uma aparente flexibilização, a decisão deixou o Brasil em desvantagem competitiva em relação a seus principais concorrentes. Cada vez mais alongada, a instabilidade perante o tarifaço dos EUA teve na última semana, movimento expressivo contudo visto com pessimismo por quem entende de café e exportação. Uma medida anunciada pelos Estados Unidos na sexta-feira, dia 14 de novembro de 2025, reduziu tarifas de importação para cerca de 200 produtos, - e o café estava na lista. Só que a comemoração parou por aí. Na realidade, essa redução foi recebida com cautela e um tom de preocupação por exportadores brasileiros de café.
O café brasileiro, que era taxado em 50%, teve sua alíquota reduzida para 40%. No entanto, países como Colômbia e Vietnã – grandes players do mercado – tiveram suas tarifas zeradas. “Melhorou para os nossos concorrentes e piorou para o Brasil”, resumiu @marcosmatos80 , diretor-geral da CECAFÉ, em entrevista ao portal G1. Ele explicou que muitos concorrentes já tinham acordos bilaterais ou tarifas menores, e a manutenção de uma taxa de 40% para o Brasil mantém o produto nacional em desvantagem.
A insatisfação foi reforçada pelo presidente do Cecafé, @marciocoffeelover , à GloboNews: “[A taxa de] 40%, se ficar, continua proibitiva e não muda nada. O Brasil continua totalmente fora do jogo”.
Os dados mostram o impacto prático: entre agosto e outubro, durante a vigência da tarifa de 50%, as importações americanas de café brasileiro caíram 51,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os Estados Unidos são o principal destino do café do Brasil, respondendo por cerca de 16% das exportações. A visão é compartilhada pelo mercado importador. 
A conclusão entre os exportadores é de que, sem um acesso equitativo, o prejuízo pode ser duradouro. Como alertou Matos: “Nós perdemos espaço e os nossos concorrentes assumiram. E isso pode ser e tende a ser irreversível”. O pior, segundo os exportadores, é que cada dia dessa situação torna mais difícil recuperar o espaço perdido. Enquanto isso, nossos concorrentes seguram a xícara.

Fonte: G1, GloboNews, Notícias Agrícolas e Forbes Br

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