DA SECURA EXTREMA AO CALOR ARREBATADOR: O DESAFIO DA CAFEICULTURA BRASILEIRA
Nos campos de Minas Gerais, um alerta urgente é emitido: o aumento constante das temperaturas ameaça qualidade e produtividade, indo além das técnicas agrícolas convencionais. Temperaturas acima de 32°C–33°C afetam severamente a fisiologia do cafeeiro Arábica. “O sistema dela é afetado, tanto na transpiração como na fotossíntese”, alerta o engenheiro agrônomo Jonas Leme Ferraresso, destacando que o calor excessivo é “um dos pontos mais difíceis de corrigir”, mesmo com irrigação.
O produtor Mateus Oliveira, de Simonésia (MG), confirma: “As lavouras não estão respondendo corretamente aos manejos”. Ele relata déficit hídrico crítico, com chuvas que não repõem a falta de água desde o ano passado.
A Organização Meteorológica Mundial coloca 2025 como um dos anos mais quentes já registrados, com ondas de calor fora de época e chuvas irregulares agravando o estresse hídrico e térmico. A busca por soluções é imperativa. Pesquisas focam em cultivares mais tolerantes, sombreamento e manejo preciso de irrigação. Cientistas como Aaron Davis, do Jardim Botânico Real de Kew, buscam respostas na biodiversidade, explorando espécies silvestres entre as 131 conhecidas que podem ter resistência natural ao calor e à seca. Estudos e cruzamentos com espécies comerciais podem ser a chave para desenvolvimento de plantas de qualidade mesmo sob estresse climático.
Preservar a excelência do café brasileiro exige inovação contínua, investimento em pesquisa e disseminação de conhecimento. O aquecimento global bate à porta da lavoura, e a resposta deve ser colhida com inteligência e urgência.
Fontes: SciElo Br, Revista Veja, Canal Rural & Notícias Agrícolas
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