CAFÉ FUTURO EM QUEDA: MERCADO INVERTIDO E PREÇO R$ 210 MAIS BAIXO FREIAM VENDAS DA NOVA SAFRA 

Jan 27, 2026 - 15:04
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CAFÉ FUTURO EM QUEDA: MERCADO INVERTIDO E PREÇO R$ 210 MAIS BAIXO FREIAM VENDAS DA NOVA SAFRA 


O café futuro é, antes de tudo, um acordo. Mais especificamente, um contrato legal e padronizado que é negociado em uma bolsa de valores, como a B3 no Brasil ou a ICE em Nova York. A essência desse contrato é um compromisso firmado no dia de hoje para comprar ou vender uma quantidade muito específica de café (por exemplo, 250 sacas de 60kg do café arábica) em uma data determinada no futuro - daí o nome "futuro" - mas com um detalhe crucial: o preço desse café é travado no momento em que o contrato é feito. Ele permite que o produtor e o comprador se encontrem hoje e fechem um trato. 
O ritmo de venda antecipada da próxima safra de café brasileira (2026/27) está lento e abaixo da média histórica, reflexo de uma distorção de preços conhecida como "mercado invertido" no setor. Dados da consultoria Safras & Mercado apontam que cerca de 8% da produção futura foi negociada até 20 de janeiro. O percentual fica abaixo dos 9% do mesmo período de 2025 e muito aquém da média histórica, que é de 17%.
A causa principal é a diferença expressiva de preços entre o café disponível para entrega imediata (mercado físico) e o café a ser entregue no futuro. O contrato para setembro de 2026 na Bolsa de Nova York é cotado abaixo do preço do café físico, com uma diferença que gira em torno de R$ 210 por saca. Na prática, isso significa que o "café futuro" - um contrato que garante a venda de um lote a um preço fixo para entrega em data posterior - vale menos no mercado que o produto disponível hoje. "O preço futuro permanece inferior ao físico imediato, o que desestimula a comercialização antecipada", explica Gil Barabach, consultor da Safras & Mercado. Diante desse cenário, o produtor prioriza a venda do café que já tem em estoque ("safra velha") e segura a negociação da nova safra, limitando o fluxo de vendas futuras. A estratégia é tentar capitalizar melhores preços no mercado à vista, adiando o comprometimento com um preço futuro considerado baixo.
A venda antecipada (ou "futuro") é um instrumento importante de gestão de risco para o cafeicultor, permitindo que ele fixe uma receita e se proteja de possíveis quedas de preço até a colheita. Entretanto, quando o mercado se inverte, o mecanismo perde o atrativo. Enquanto isso, a comercialização da safra 2025/26 ("safra velha") atingiu 76%, um avanço em relação ao mês anterior, mas ainda abaixo do observado no ano passado (85%). O cenário de mercado invertido e as vendas futuras arrastadas mantêm os produtores em uma postura cautelosa, à espera de uma melhora nas cotações futuras ou do escoamento maior dos estoques atuais para reequilibrar a oferta e a demanda. A decisão agora é gerir o fluxo de caixa com o café disponível, postergando a decisão sobre a safra que será colhida a partir do meio do ano.
Fonte: Revista Forbes BR

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