PLANTA AQUÁTICA FORMA 'TAPETE MARROM' E MOBILIZAR FORÇA-TAREFA EM MINAS GERAIS

Set 3, 2026 - 13:57
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PLANTA AQUÁTICA FORMA 'TAPETE MARROM' E MOBILIZAR FORÇA-TAREFA EM MINAS GERAIS
Planta aquática forma ‘tapete marrom’ por cerca de 90 km no Rio Araguari e mobiliza força-tarefa em MG - Foto: Prefeitura de Nova Ponte/Reprodução

 Por Madu Porto*, Luan Borges, g1 Triângulo e TV Integração - Uberlândia

Uma grande quantidade de plantas aquáticas passou a cobrir trechos do Rio Araguari e dos reservatórios entre a Usina Hidrelétrica de Nova Ponte, Indianópolis e a Represa de Miranda, em Uberlândia. A massa vegetal, perecida com um tapete marrom, já se deslocou por uma extensão maior que 90 quilômetros. Diante da rápida proliferação, o Ministério Público realizou uma audiência nesta quarta-feira (2) com representantes das prefeituras de Indianópolis e Uberlândia. Participaram ainda órgãos ambientais e instituições envolvidas, para discutir medidas emergenciais de contenção e limpeza. "Essa massa vai trazer um problema muito sério para o tratamento da água", alertou o promotor, Breno Lintz.


ABASTECIMENTO DE ÁGUA PODE SER AFETADO
O promotor de Justiça do Meio Ambiente, Breno Linhares Lintz, informou à TV Integração que as plantas foram detectadas pela primeira vez em Patrocínio, em agosto, e se aglomeraram desde então.
Segundo o Ministério Público, a massa de plantas já está a aproximadamente 17 quilômetros da Usina de Capim Branco. A usina é responsável pelo abastecimento de 32% da cidade de Uberlândia, o que de acordo com o diretor geral do Dmae, Rodrigo Lacerda, significa aproximadamente 250 mil a 300 mil pessoas. Caso as plantas continue avançando, há preocupação com possíveis impactos sobre a captação, o abastecimento na região e o tratamento, porque a planta pode alterar drasticamente o gosto e o odor.
Conforme o promotor, para solucionar o problema e combater a causa da proliferação, a coordenação segue estudando a médio prazo. No entanto, são necessárias medidas de contenção. A força-tarefa avalia buscar o apoio de uma empresa especializada que atuou em uma cidade de Goiás com problema semelhante, para realizar a limpeza imediata da área afetada. A estimativa inicial é de que sejam necessários cerca de R$ 350 mil para a ação na Represa de Miranda. “Nesta quinta-feira vamos procurar as empresas da região que podem ser afetadas, além dos órgãos públicos envolvidos, para definir de onde virá esse recurso e buscar uma solução para salvar a nossa região dessas macrófitas”, disse o promotor.

 MACRÓFITAS  - Macrófitas são plantas aquáticas visíveis a olho nu que vivem total ou parcialmente submersas em ambientes de água doce ou salgada, como lagos, rios, represas, brejos e áreas alagadas. Embora sejam essenciais para o equilíbrio ambiental, seu crescimento excessivo pode causar problemas, como dificultar a navegação, reduzir a circulação da água e favorecer o acúmulo de matéria orgânica.
A Prefeitura de Uberlândia informou que a Secretaria Municipal de Gestão Ambiental e Sustentabilidade, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) e a Defesa Civil integram o grupo responsável pelo acompanhamento da situação. Também participam Ibama, Igam, Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari, Polícia Militar de Meio Ambiente e Prefeitura de Indianópolis.
Segundo o município, o grupo mantém monitoramento contínuo e articulação com os operadores do reservatório, responsáveis pelo controle e manutenção da represa.

O QUE É O TAPETE-MARROM?
Segundo o biólogo Jimi Naoki Nakajima, do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a planta é da espécie salvínia, conhecida popularmente como orelha-de-onça ou carrapatinho. Ela flutua sobre a água e tem alto potencial invasor. Em condições favoráveis, pode dobrar de tamanho em cerca de 36 horas e formar camadas conhecidas como 'tapetes verdes', que podem chegar a até 1 metro de espessura.
Segundo o biólogo, o problema ocorre quando a planta se acumula em grande quantidade e forma uma camada sobre a superfície da água. Essa cobertura reduz a entrada de luz, prejudica a fotossíntese de algas nativas e, durante a decomposição, pode diminuir o nível de oxigênio na água. Entre os possíveis impactos ambientais está a mortandade de peixes.

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