NOVO JÚRI POPULAR DE JORGE MARRA TEM DATA MARCADA PARA MARÇO DE 2027

Set 4, 2026 - 10:46
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NOVO JÚRI POPULAR DE JORGE MARRA TEM DATA MARCADA PARA MARÇO DE 2027
Justiça marca audiência de Jorge Marra por homicídio em Patrocínio

 Por Daniela Nogueira, Juliana Leal, Guilherme Gonçalves, g1 Triângulo - Patrocínio

O novo júri popular do ex-secretário de municipal de Obras de Patrocínio, Jorge Moreira Marra, está marcado para março de 2027 em Belo Horizonte. A nova data foi definida, nesta terça-feira (3), após o julgamento ser transferido de Patrocínio, no Alto Paranaíba, para a comarca de Belo Horizonte, a pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pelos advogados da família Remis.
Jorge Marra é acusado da morte do ex-vereador Cássio Remis, em 2020. Naquele ano, Marra era secretário de Obras na cidade. Ele também é irmão de Deiró Marra, que era prefeito de Patrocínio na época. Já Remis foi vereador na cidade entre 2009 e 2016 e era candidato novamente a uma cadeira no Legislativo.
Jorge Marra chegou a ser absolvido do crime em júri popular em 2022. Mas a decisão foi anulada em 2024 e a anulação foi mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2025, além de determinada a realização de um novo julgamento. Na época, a defesa já analisava pedir o novo julgamento em outra cidade.

NOVA DATA E NOVO LOCAL DE JULGAMENTO
A data para o novo julgamento de Jorge Marra é 17 de março de 2027, conforme a determinação do juiz Marco Antônio Silva, da comarca de Belo Horizonte. O agendamento foi realizado após a decisão da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em julho deste ano, pelo desaforamento do júri popular, ou seja, a realização do julgamento em outra cidade. O pedido para que o novo júri seja realizado fora de Patrocínio foi protocolado pelo MPMG e pelos advogados da família Remis. Conforme o documento, a solicitação foi para que ocorresse em cidade de maior porte, "distante da influência do réu, para que seja garantida a imparcialidade do julgamento".
Os advogados da família Remis destacaram a repercussão local do caso, "aliada ao ambiente hostil e à realização anterior de julgamento imparcial, havendo pressões populares, ameaças veladas e discussões políticas, o que tornam inviável a realização do novo julgamento na Comarca [de Patrocínio]". A equipe de acusação acrescentou, ainda, que diversos jurados solicitaram a dispensa do julgamento anterior.
Por sua vez, o Ministério Público, sustentou que o primeiro julgamento já foi anulado por a decisão dos jurados ter sido "manifestamente contrária à prova dos autos", o que reforça a preocupação com a imparcialidade da sentença. Demonstrou o viés político que envolve o delito, já que Jorge Marra exercia o cargo de secretário de Obras e é irmão do então prefeito, que buscava a reeleição, e a vítima era vereador e pré-candidato de oposição, o que causou intensa polarização na comunidade local. Já a defesa de Marra se manifestou contrária a transferência do julgamento de Patrocínio.
Na decisão, os desembargadores da 8ª Câmara Criminal do TJMG concordaram com o relatório de que o desaforamento, embora medida excepcional, assegura um "corpo de jurados distante dos fatos e preservado de eventuais temores e intimidações". "Verifica-se pelos documentos acostados, a preocupação com a influência no ânimo dos jurados, sendo certo que a realização do júri na Comarca de Patrocínio poderá constranger e influenciar os jurados sorteados", afirma a decisão. O documento ressalta que Jorge Marra a família são pessoas muito influentes em Patrocínio e que os fatos da anulação do primeiro julgamento deixam dúvidas quanto à imparcialidade dos jurados. "Considerando o expresso pedido ministerial, de que o julgamento seja realizado em cidade de maior porte, a fim de se proteger a segurança das partes diante do envolvimento de facções, entendo que a Comarca de Belo Horizonte atende às necessidades do caso. Diante do exposto, deve ser desaforado o julgamento do feito da Comarca de Patrocínio para essa Capital do Estado, onde o acusado será submetido a um corpo de jurados imparcial."

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