GUERRA ELEVA RISCO LOGÍSTICO E APERTA MARGENS DO CAFÉ BRASILEIRO, ALERTA SETOR
A escalada de conflitos geopolíticos em rotas marítimas vitais acendeu um alerta no setor cafeeiro brasileiro. Em entrevista ao Times Brasil, o presidente da BSCA, Luiz Roberto Saldanha, detalhou como a crise deve pressionar custos, atrasar embarques e impactar toda a cadeia produtiva.
O primeiro impacto é logístico. Com a insegurança no Estreito de Ormuz e no Canal de Suez, navios com destino à Europa - um dos principais mercados do café brasileiro - precisarão contornar o Cabo da Boa Esperança, na África. Essa mudança pode adicionar de 10 a 18 dias no tempo de trânsito. Simultaneamente, companhias marítimas endurecem negociações: algumas deixaram de oferecer seguro de guerra em certas áreas, enquanto outras elevaram os preços de forma “exorbitante”.
Como a maioria dos contratos é na modalidade FOB (Free On Board), o frete internacional é responsabilidade do comprador. Portanto, teoricamente, os importadores arcarão com esse aumento imediato. No entanto, Saldanha alerta para um repasse em cascata: os importadores devem repassar os custos aos torrefadores, que, por sua vez, repassarão aos consumidores finais. O cenário agrava um quadro já delicado. Dados citados pela BSCA mostram que, mesmo sem crise internacional, exportadores brasileiros perderam mais de R$ 60 milhões no ano passado com atrasos portuários e ineficiências logísticas.
Além da logística, a crise energética global ameaça o campo. A produção de café depende de fertilizantes nitrogenados, cuja matéria-prima (ureia) é produzida com uso intensivo de gás natural. O aumento do custo de energia tende a encarecer esses insumos, apertando as margens dos produtores.
Em cenários de guerra, há ainda a tendência de migração de capital para ativos como metais, reduzindo a exposição a commodities agrícolas. “A cadeia é longa e os impactos tendem a ser distribuídos. Em termos de ineficiências e custos, praticamente todos pagam”, resumiu Saldanha.
A conclusão é que, somando riscos logísticos, energéticos e cambiais, as margens do café brasileiro entram em um novo ciclo de aperto e incerteza.
Fontes: Times Br e Bloomberg
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