ANDAMENTO DA SAFRA DE CAFÉ: COLHEITA DE 2026/27 ATINGIU 52% DA ÁREA PLANTADA
A FG Corretagens vem acompanhando de perto o pulsar das lavouras e as engrenagens do mercado físico, e os dados mais recentes de sensoriamento e monitoramento de campo confirmam que a colheita da safra de café do Brasil para o ciclo 2026/27 cruzou a linha da metade do caminho, atingindo 52% da área total projetada. Embora o clima mais seco no início de julho tenha dado fôlego extra às máquinas e equipes de apanha, permitindo um salto de oito pontos percentuais em apenas uma semana, o ritmo geral do país ainda corre atrás do prejuízo. Quando olhamos para o mesmo período do ano passado, a colheita nacional já estava bem mais adiantada, na casa dos 60%, e o desempenho atual também fica ligeiramente abaixo da nossa média histórica de cinco anos, que costuma registrar 55% para esta época.
Essa diferença de velocidade entre os anos se explica pelo comportamento bem distinto entre as duas principais variedades produzidas no país. No caso do café conilon, que tem o Espírito Santo como grande motor de produção, os trabalhos no campo caminham a passos largos para a reta final, já ultrapassando os 72% de área colhida. A realidade, no entanto, é bem mais cadenciada para o café arábica, que detém o maior valor comercial do mercado e registrou apenas 42% de avanço até agora. O arábica sofreu bastante com o excesso de umidade e com as chuvas que caíram sobre o cinturão produtor no final de junho, o que não só travou a entrada das colhedoras nas linhas, mas também exigiu paciência redobrada dos produtores na secagem dos grãos no terreiro, atrasando o fluxo de processamento e a chegada de novos lotes físicos às mesas de classificação das corretoras.
Ao abrirmos o mapa das regiões produtoras sob a ótica do geoprocessamento e dos dados locais de cooperativas, percebemos que o Cerrado Mineiro apresenta dinâmicas diferentes dependendo da amostragem. Na área de abrangência da cooperativa Expocacer, a colheita deu um salto rápido na primeira semana de julho, atingindo 40%, embora ainda abaixo dos 45% do ano anterior. Já na média geral dos produtores associados à Cooxupé na região, os trabalhos registravam 21,3% no início do mês. Enquanto isso, o Sul de Minas se consolida como a região de arábica mais adiantada do estado, registrando 36,6% de evolução. Logo em seguida, a região das Matas de Minas apresenta um ritmo também acelerado e consistente, com 35% da área colhida. Mais ao sul do mapa, o ritmo nas lavouras da Média Mogiana, em São Paulo, aponta para 31,5% de andamento. No escritório de corretagem e no planejamento logístico, o sinal é de atenção constante: embora o fluxo de embarques nos portos siga firme, a velocidade com que a safra de arábica se consolida daqui para frente ditará a qualidade física dos grãos e o rumo dos contratos futuros nos próximos meses.
Fontes: COOXUPÉ, Hub do Café, GOV São Paulo, GOV Espírito Santo e GOV de MG
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